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Um dos últimos artigos que li diz respeito à indústria da moda What Really Matters in the Fashion Industry?, escrito pela Katherine Martinko.

Este artigo impactou-me bastante porque, nesta área, ouvimos falar de tantas inovações, tanta tecnologia com potencial para que o mundo da moda seja mais sustentável, tantas ofertas de novos tecidos, novas fibras que vão melhorar, em muito, o nível de sustentabilidade dos produtos, etc.

Mas acabamos por deixar de lado o essencial.

Tal como a jornalista Elizabeth Cline diz:

I do not care whether we are all wearing sweatpants or 3D printed clothes in the future; what matters is that all human beings in the fashion industry are paid a fair wage for a fair day’s work and that factories and garment workers are equal partners in fashion. That would be a truly innovative change.*

Na minha interpretação livre, diz que a grande mudança não está no tipo de inovação tecnológica que estamos a integrar nas peças de roupa. O que importa, na realidade, é que todos os intervenientes nesta indústria sejam pagos de forma digna e tratados como parceiros iguais. Isso sim seria verdadeiramente inovador.

Realmente há tanto que está ao nosso alcance, para tornar a indústria da moda mais sustentável, que ficar à espera das grandes inovações tecnológicas pode não ser o suficiente (nem estar acessível a todos).

Assim, a autora identifica algumas ações que podemos empreender e onde temos, como consumidores, o poder de veto e avaliação da oferta que temos à nossa escolha:

Escolher fibras naturais

O problema dos microplásticos, que se libertam nas lavagens, vai continuar a existir, se continuarmos a usar roupa feita com fibras de origem fóssil. Para além disso, a produção destas peças tem custos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida, desde a produção das matérias primas, passando pela produção das próprias peças e, por último, no final de vida das peças e no seu descarte.

Por experiência, sei que nem sempre é facil encontrar roupa com fibras 100% naturais. Tenho especial dificuldade com a roupa de desporto. Mas, com paciência e sem pressas, encontramos sempre aquela peça que é feita de fibra natural e serve o propósito.

Ainda assim, todos nós temos no roupeiro peças com fibras plásticas. Neste caso, o truque mais acessivel está mesmo em lavá-las poucas vezes. A maioria das vezes não precisamos de usar e lavar logo a seguir (salvo as exceções da roupa de desporto, claro). Assim, conseguimos:

  • diminuir a libertação de microplásticos
  • poupar energia e água
  • prolongar a vida das próprias peças
  • poupar dinheiro

Usar a roupa pelo máximo de tempo possível

Aqui temos várias frentes de abordagem. Podemos optar pela que nos deixa mais confortável, ou por todas ao mesmo tempo. A primeira, e a mais óbvia, é usar o que temos o máximo de tempo possível, tentando não cair nas tentações da novidade a cada momento e apreciando mais aquilo que já temos em casa.

Claro está que para uma peça durar mais tempo, sendo usada com frequência, é conveniente que seja uma peça de qualidade que resista a essa “utilização intensiva”.

Aqui surgem algumas opiniões de que as peças de maior qualidade são mais dispendiosas do que as de fast fashion, onde podemos debater o tema da quantidade.

Por exemplo, um casaco de lã, feito de forma ética, pode viver em perfeitas condições muitos anos. Vamos imaginar que dura 10 anos e estou a ser conservadora. Quantos casacos de fast fashion, de um tecido que simula a lã, duram 10 anos? Já nem sequer estou a falar na comparação da performance das duas peças. Sendo optimistas, vamos considerar que um casaco de fast fashion, deste género, está em boas condições de ser usado (sem passarmos muitas vergonhas, para quem se importa com isso) durante 2 anos. Será que o primeiro casaco custou 5 vezes mais que o segundo? Pode acontecer em algumas marcas, mas na generalidade isso não se verifica.

Usar peças de boa qualidade compensa em termos sociais, ambientais e também na carteira.

Por último, mas não menos importante, outra forma de prolongar a vida das peças é usar em segunda mão. Aqui podemos encontrar peças de maior qualidade ou de fast fashion, sem necessitar de produzir mais e sem ter que dispender dinheiro que não temos. É uma compra consciente e cumprimos a função, que a roupa também tem, de nos trazer alguma novidade e de nos ajudar a sentir bem.

Defender os direitos das pessoas que trabalham na indústria têxtil

Estes trabalhadores são essenciais. São eles que prepararam as tais roupas, que nos fazem sentir bem, e com as quais assumimos uma personalidade perante a sociedade. No entanto, essas pessoas são, na maioria das vezes, mal pagas, têm condições de trabalho pouco dignas, não têm qualquer segurança no trabalho e estão expostas a substâncias químicas nocivas para a saúde.

A esmagadora maioria destes trabalhadores são mulheres que, para trabalharem, têm muitas vezes que deixar de acompanhar os seus filhos. Estas situações são cada vez mais denunciadas pelos meios de comunicação social mas o consumidor tem sempre a última palavra. Cada compra é um acto cívico. Fazer perguntas às marcas, mostrar que estes assuntos importam, exigir que as marcas que utilizamos tenham comportamentos éticos ao longo da sua cadeia de abastecimento.

Nos dias em que vivemos, podemos chegar às marcas com muito maior facilidade através das redes sociais e podemos mostrar-lhes que somos consumidores informados e que os denunciaremos, quando percebermos que estão a fazer greenwashing.

Estas 3 ações estão nas mãos de todos.

E, em conjunto, têm bastante mais impacto (e a mais curto prazo) do que grande inovações tecnológicas dispendiosas, pouco acessíveis e com potenciais resultados apenas a médio longo prazo.

*(Tradução livre: Não quero saber se estaremos todos a usar calças de treino ou roupa impressa em 3D no futuro; o que importa é que todos os seres humanos na indústria da moda sejam pagos um ordenado justo por um dia de trabalho justo e que as fábricas e os trabalhadores da indústria tenham uma relação equilibrada na moda. Essa seria uma mudança verdadeiramente inovadora)

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