O conceito de slow fashion está muitas vezes associado a peças de marcas sustentáveis. Mas na verdade o conceito é bem mais abrangente, e a ideia é abrandar todas as fases do sistema da moda. Desde o design e conceção da peça, até ao seu descarte.

Deixamos algumas ideias por detrás do abrandamento da moda ou slow fashion

Design ou conceção das peças

O processo de design das peças esteve, durante muitos anos, desligado do restante processo na moda, nomeadamente a utilização e o descarte. Numa verdadeira economia circular, é essencial que a conceção da peça seja feita tendo em conta o ciclo total da mesma, incluíndo quando chega ao fim de vida.

Mas enquanto não chegamos a uma verdadeira economia circular, a slow fashion já considera alguns aspetos:

  • Considerar a qualidade dos materiais e da construção das peças
  • Desenhar as peças com o fim em mente – pode ser alvo de upcycle, compostagem ou reciclagem?
  • Criar peças intemporais, que possam ser usadas por muitos anos “sem cansar”

Produção das peças

Um dos grandes problemas da indústria da moda está na sua cadeia de valor. Nomeadamente na desresponsabilização que existe relativamente aos fornecedores indiretos, desde o cultivo de fibras, à produção e tingimento de tecidos e à própria produção das peças. E esta falta de responsabilidade atinge as dimensões ambiental, social e económica, com a indústria a mostrar péssimas práticas de segurança no trabalho, falta de pagamento de ordenados dignos ou o descarte inconsciente de materiais.

O modelo da slow fashion procura dar resposta a estas dimensões, com alguns caminhos, nomeadamente:

  • Considerar um modelo made to order, para reduzir desperdício – em vez de produzir grandes quantidades e esperar que vendam, criar a coleção virtualmente e produzir mediante encomenda, com os tamanhos e detalhes necessários
  • Usar tecidos deadstock, de sobras de outras produções de maior escala
  • Tratar de forma justa todos os intervenientes da cadeia de valor

Compra

Esta é a primeira etapa em que todos nós podemos ter uma ação. Embora possamos pesquisar acerca das fases anteriores, na verdade a falta de transparência de muitas marcas torna difícil perceber as suas práticas.

Assim, o conceito de slow fashion inclui considerações como:

  • Comprar em menor quantidade – possivelmente o maior desafio, pois estamos habituados a comprar em excesso
  • Considerar opções em segunda mão, trocas em eventos ou com amigos
  • Pensar na peça como parte do roupeiro – que combinações posso fazer? quantas vezes irei usar?

Utilização

Depois da compra da peça, ela passa a ser nossa responsabilidade. A sua utilização deve, por isso, ter em conta a sua durabilidade, em boas condições, para que cumpra a sua função por muitos anos. E mesmo que deixe de fazer sentido no nosso roupeiro, possa perdurar no roupeiro de outra pessoa, até que perca a capacidade de o fazer.

Considerando a slow fashion, podemos pensar em aspetos como:

  • Repetir peças – há que normalizar a repetição de peças e visuais
  • Cuidar bem da roupa – temos muitas dicas para cuidar da roupa
  • Inovar com acessórios – é uma ótima forma de dar um novo visual
  • Remendar ou alterar as peças – falamos de pregar um botão ou arranjar um fecho; e também de encurtar uma saia ou tirar umas mangas a uma camisola, para ir ao encontro do que queremos fazer

Descarte

O descarte não precisa de ser o fim da peça. Pode ser somente o fim da peça para nós.

E há formas de o fazer que vão ao encontro do conceito de slow fashion:

  • Alterar a peça para outro fim via upcycle – uma camisola pode virar um saco de pano ou umas “meias” de trazer por casa
  • Procurar alternativas por perto – dar a amigos, família ou instituições locais
  • Trocar – em projetos como Circular Wear ou Let’s swap Porto
  • Vender ou dar em plataformas online ou grupos de Facebook – podes ver como funciona vender na reCloset

Algumas destas fases estão na mão de cada um de nós. O que fazes para abrandar a moda?

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